Terça-feira, Outubro 09, 2007
Serko - Um filme a não perder!

Em Lisboa e outras localidades portuguesas está por estes dias a decorrer a Festa do Cinema Francês e com ela vem um filme que considero imperdível, quer pela sua beleza, quer pela forma como nos oferece uma importante lição de vida. Trata-se de uma produção franco-russa que nos relata a incrível aventura de um jovem cossaco, Dimitri, que arrisca tudo para obter justiça junto do csar pelo assassinato de um amigo oriundo de uma tribo local e também para salvar uma raça de cavalos ameaçada, como sempre, pela maldade de uns quantos humanos indignos desse nome.

Dimitri empreende uma viagem de quase 9000 quilometros no seu cavalo cinzento apelidado de Serko (que em russo é a junção das palavras cinzento e cavalo), desde as margens do rio Amur, atravessando quer a vastidão das estepes siberianas, como as mais impressionantes cadeias montanhosas, enfrentando mil e um desafios até à grande S. Petersburgo, onde consegue expor com êxito o seu problema e finalmente retornar a casa com a missão cumprida.

Tornava-se necessário e urgente impedir os construtores da linha de caminho de ferro de continuar a assassinar os cavalos da região e com isso a aniquilar o único modo de vida das tribos locais, o que originaria também a sua morte.

Ele que era considerado um fraco, um cobarde, pelo pai por não ter coragem de matar um urso, consegue fazer muito melhor do que isso, consegue salvar numerosas vidas, evitando tanto a extinção das referidas tribos, como dos cavalos.

A nobreza da alma russa, capaz das maiores proezas apenas em nome da justiça, da defesa dos mais fracos e da beleza universal, uma vez mais se torna presente neste filme, sem no entanto deixar de nos lembrar da existência de uma sua parte negra, que é capaz de praticar as maiores vilezas, apenas pela sede de poder. Um poder cego, torpe, que arrasta tudo e todos para a destruição, para a dor, para a extinção, para a aniquilação total.

No fundo encontra-se aqui espelhada a eterna contradição que persegue a Humanidade desde épocas imemoriais: a luta entre os opostos Mal/Bem. Entre a Matéria e o Espiritual, entre as Sombras e a Luz, entre a Ignorância e a Sabedoria....

Esta é também a viagem iniciática de Dimitri e um pouco de todos nós, diamantes por lapidar, pedra bruta que ao longo da existência, através das mais diversificadas experiências se vai moldando (ou não) até chegar à obra prima final.

O filme, realizado por Joel Farges em 2006, é um hino à Natureza pelas belíssimas paisagens que nos oferece, mas também um apelo à necessidade de salvaguarda, de protecção desta que se faz urgente, pois um número bastante significativo de espécies e mesmo de povos tem sido extinto nos últimos séculos devido à acção insana e criminosa de uns quantos seres ditos humanos, mas que de humanidade nada possuem.

Se puderem ver este filme, acessível ao público de todas as idades, não hesitem, pois, tal como eu, concerteza ficarão satisfeitos pela intensidade de beleza e sabedoria que nos transmite, misturada com paisagens de sonho, contos russos e tradições muito peculiares que vão desvanecendo-se no tempo, à medida que este avança inevitável e imprevisível na sua longa e enigmática marcha.

Black Bird 6:57 AM
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Domingo, Setembro 09, 2007
Quantos inocentes mais terão de ser sacrificados?

Um dia, 13/05/1994, vieram e levaram uma menina, a Cláudia Sousa.
Como não era minha filha, não me incomodei.
Noutro dia, 4.3.1998, vieram e
levaram um menino, o Rui Pedro.
Como não era familiar dele, não me incomodei .
Da terceira vez, 2.3.1999, vieram e levaram o Rui Pereira.
Como não era meu conhecido, não me incomodei.
Depois vieram outras vezes,13. 09. 2004; 15.06.2005; 3.05.2007 e outras mais.
Levaram, entre outros, a Joana Cipriano, a Ana Santos e a Madeleine Mc Cann.
Até que chegou a vez dos meus filhos e ...os levaram;
então já não havia mais ninguém para me ajudar..."

Adaptei este famoso poema de Martin Niemöller, símbolo da resistência aos nazis, mas que serve também para todas estas crianças estranhamente desaparecidas em Portugal e nunca encontradas...Fiquem igualmente com outro poema do mesmo género, este do poeta Vladimir Maiakovski e reflictam todos sobre o mistério que está a acontecer neste paraíso à beira mar plantado.... Eu não tenho filhos, mas respeito bastante a dor de quem os está a perder...

Um passeio com Maiakovski

"Na primeira noite eles se aproximam
e colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem :
pisam as flores,
matam nosso cão,

E não dizemos nada.

Até que um dia, o mais frágil deles,
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a lua, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta."

E porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada.

Black Bird 6:34 PM
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Sábado, Setembro 08, 2007
Menina X procura Dona Fulana

Hora de almoço. Entro em casa com uma tremenda fome.
Acabara de me sentar à mesa quando toca o telefone de casa. Trimmmmm...Trimmmmm...

Quem será agora? - pensei eu, pois era ínfima a possibilidade de alguém me ligar para casa aquela hora.
-Boa tarde! Que deseja? - inquiri eu.
Silencio momentâneo e depois uma voz feminina perguntou: - A dona deste telefone está?
- Pronto, lá estão o raio das gajas sem vergonha da publicidade a chatearem-me outra vez, deduzi. Logo hoje que estou esfomeadíssima, mas desta vez não vão sem resposta à medida. Então disse-lhe: - A dona? Não, não está. Porquê?
-Eu preciso falar com ela! - interpela-me com alguma brusquidão a criatura.
- Pode deixar recado, eu transmito-lhe!
-Não, eu quero é falar com a Dona Fulana, só com ela! - argumentou o estafermo da moça, armada em espertalhona.
Eu, já com uma vontade imensa de rir-me ao ver que ela estava a falar com a dona do telefone e nem percebia, respondo-lhe: - Mas ela não está cá...
- Então quando volta? A que horas?
- Não sei....- digo-lhe eu, com uma vozita doce e inocente.
- Então quem é que aí na casa sabe?
Respondo-lhe: O Gonçalo (não existe nenhum cá em casa!) é que sabe, mas ele também não está...
- E você quem é? - pergunta-me a descarada da gaja.
- E que lhe interessa à senhora quem eu sou, se mesmo agora só queria falar com a Dona Fulana?

Desliguei, não tive mais paciência para aturar este tipo de gente da publicidade, pois já não é a primeira vez que me incomodam com telefonemas do mesmo género. Já em tempos lhe disse que era a empregada da casa, já lhe falei que a dona da residência tinha ido de lua de mel para a Zâmbia, outra ocasião confidenciei-lhe que a dona tinha viajado para a Holanda e eu só ia ali regar-lhe as plantas, mas elas insistem, insistem...

Antes fingiam oferecer-me generosos presentes como engodo para eu ir levantar a um determinado hotel da cidade. Eram férias no Algarve, presentes valiosos e eu, "velhaca e teimosa", insisti sempre em não aceitar e nunca me dei sequer ao trabalho de ir ver o rosto de tais "adoráveis" mocinhas.

Agora já desistiram de me tentar aliciar com ofertas, mas continuam a insistir em contactar com a Dona Fulana (ou seja eu mesma!)....Se vocês, caros leitores amigos estivessem na minha situação que diriam da próxima vez à moça da publicidade quando ela voltar a contactar-me?

Black Bird 7:43 PM
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Terça-feira, Agosto 14, 2007
A Casa da Cascata

Viajar é um elixir muito poderoso e reconfortante para a alma. Continuando na senda dos passeios virtuais, hoje trago-vos uma nova sugestão: fazer uma visita por uma casa que desde a adolescência fascina a minha mente: a Casa da Cascata, construída nos anos 30 do século XX pelo arquitecto Frank Lloyd Wright, na Pensylvania (EUA). Hoje transformada em museu, esta obra de arte consegue conjugar de forma bastante harmoniosa uma residência no meio de uma pequena queda de água que atravessa um fabuloso bosque.

Eu não entendo como podem muitas pessoas conseguir viver amontoadas em blocos residenciais impessoais, amorfos, sem jardins, lagos, altas árvores verdes ao redor ou por perto. Sei que a questão monetária muitas vezes pesa na decisão, mas em Portugal a inexistência desses espaços passa também muito pela falta de sensibilidade e bom gosto por parte de quem planeia as cidades e mesmo de quem as executa. Como o povo muitas vezes é bastante atrofiado mentalmente, não reclama e aí as monstruosidades acumulam-se de forma impressionante.

Sei de um caso passado numa reunião onde o tema era a habitação e uma mulher de meia idade interrogou os palestrantes: "para que servem as zonas verdes", isto porque ela queria apenas que se construisse mais e mais habitação e achava um desperdício ocupar o espaço com as ditas "zonas verdes". Dá tristeza constatar a existência destas mentes demasiado limitadas. Há dias fomos com um amigo visitar a Tapada das Necessidades, em pleno coração de Lisboa. Aquele que foi outrora um magestoso e belo parque de que a realeza não prescindia, está hoje ao abandono, com as plantas e árvores a secarem, estátuas quebradas, casas em ruína e nenhum responsável estatal se preocupa minimamente em recuperar este importante espaço histórico e natural.

Talvez estejam à espera que surja o momento ideal para arrasarem com toda esta riqueza patrimonial e transformarem esta jóia em mais betão cinzento e feio, como já fizeram num canto do parque. Tristes criaturas que desrespeitam assim a natureza....Países com governantes desta estirpe não vão longe em termos de modernidade, continuarão sempre atrasados e a tendência será para cada vez mais gerarem sociedades onde o egoísmo, a insensibilidade, a maldade, a ignorância e a decadência são uma constante da vida.

Voltanto à nossa visita, aqui vai o link onde vos aconselho a clicar: Eis aqui a Casa da Cascata
Espero que se maravilhem como me aconteceu também:
A foto abaixo é de um recanto da Tapada das Necessidades votado ao abandono....

Black Bird 5:46 PM
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Terça-feira, Julho 31, 2007
Museu das Criaturas Fantásticas

A internet abre-nos um vastíssimo mundo de possibilidades e devemos tirar partido disso. Como vocês, meus amigos internautas, estão muito distantes de mim em termos quilométricos - temos a separar-nos oceanos, vastas planícies, íngremes cadeias montanhosas e até fusos horários - não podemos encontrarmo-nos pessoalmente com muita facilidade...no entanto existem as visitas virtuais...Por isso, decidi que está na hora de irmos todos conhecer este museu japonês. Contemplar um mundo um tanto ou quanto surreal, de esguios dragões, estranhos peixes e outras raras criaturas. Afinal temos de tirar partido da famigerada globalização! rsrsrs...Entremos, pois, no museu, mas, atenção, não se percam aqui pelos corredores e me deixem aflitinha à vossa procura horas e horas!! Estou a brincar, até porque é muito fácil aceder ao site. É só entrar (ah, não precisam instalar o pacote de idiomas, façam logo cancelar, não esqueçam!) e clicar em Click Here! Depois nas páginas seguintes devem voltar a clicar sempre nos links da coluna à vossa esquerda. No final, contem-me as vossas impressões.....Pé direito...avancemos...

Click aqui para entrar no Museu das Criaturas Fantasticas


Black Bird 4:30 PM
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Quinta-feira, Julho 19, 2007
Interrogações de quinta-feira à noite...

Saber viver é uma arte, já o afirmei aqui, e eu continuo a procurar a todo o instante entender a vida para a poder viver de forma correcta e em pleno. Mestres nobres e puros que saibam indicar de forma honesta e inteligente a via certa são raríssimos, afinal anda quase todo o mundo tentando enganar a outra parte que sobra da Humanidade, por isso a minha procura é extremamente difícil.

Por vezes revolto-me, outras vezes desanimo, mas felizmente continuo a resistir a tudo isso e prossigo minha estranha viagem. Poucos são os que me compreendem, raras são as verdadeiras amizades, apesar de muitas serem as almas conhecidas. Em Portugal a maioria das pessoas vive em seu mundinho egoísta, limitado e patético ou oportunista e sobra pouco espaço para o convívio salutar e desinteressado com os outros. Por muitos anos que viva, jamais me conseguirei adaptar a este género de pessoas, por isso prefiro ficar quietinha no meu lugar e fechar-me a eles. Apenas converso o essencial no dia a dia e nem mais uma palavra. É duro, mas penso que me protege da futilidade. Só não me salva do profundo tédio que se gera....

Praticamente é através da net que encontro as pessoas mais válidas e verdadeiramente valiosas no plano espiritual, mas todas elas vivem longe demais para disputar uma partida de ténis, fazer um passeio, trocar uma risada ou dois dedos de conversa....Muito cruel!

Hoje minha dedicada e amada companheira estava vendo a "fauna" do you tube e descobriu que agora alguns jovens dedicam-se no metro de Lisboa a filmar pessoas fragilizadas mentalmente, as quais se comportam de forma meio incomum, que depois eles colocam na net como se aquela filmagem tão mediocre tivesse algum valor.... Lamentável que o sofrimento alheio não desperte a mínima compaixão e respeito nestes jovens, mas sim uma vontade indomável de rir e tentar que os outros achem piada à condição tão precária e triste em que as pessoas filmadas se encontram. É muito doentio! Que gerações são estas tão insensíveis para com o sofrimento alheio?

A democracia em que vivemos há pouco mais de 30 anos trouxe liberdade ao país, mas essa liberdade não foi acompanhada do esclarecimento das pessoas, do elevar do nível educacional e espiritual das novas gerações. Apenas se apostou em obter o poder pelo poder, a todo o custo, e em repetir experiências de escravização mental copiadas de sociedades futeis e egoístas onde o capitalismo selvagem é rei e senhor absoluto. Agora a tragédia é cada vez mais visível e os novos escravos nem se apercebem disso, mas dá para vê-los a cada dia que passa, mais e mais idiotas, lamentando-se, sofrendo na pele sem saber o porquê e comportando-se de forma cada vez mais animalesca e irracional....

Para onde caminha Portugal? Sem políticos que prestem, salvo uma ou outra excepção, mas esses nunca se aproximam demais do poder; sem a maioria da população capacitada profissional, emocional e intelectualmente para enfrentar os novos desafios; com a obscurantista Igreja Católica cada vez mais a manipular consciências e poderes neste país que somente finge ser laico e republicano (ainda há dias os bispos fizeram birra com o Governo para logo depois se encontraram com o Primeiro-Ministro e sairem satisfeitinhos porque ele se submeteu uma vez mais aos seus caprichos); com os últimos fundos comunitários a chegarem de Bruxelas para uma grande parte ser de novo mal gerida, com a Educação e a Saúde num estado vergonhoso...os meios de comunicação social cada vez mais propagandeando a ignorância, a maldade e, no fundo, a amoralidade...que reserva o futuro para este País? Vejo-o a voltar ao futebol, fatima e fado como no tempo da ditadura e isso assusta-me, pois sempre desejei ter um país democrático, laico, humanista e progressista.

Ah, hoje estou meio desanimada....me desculpem...espero que em breve consiga mudar este meu estado de alma e vos possa oferecer textos bem mais interessantes. Vou colocar-vos aqui esta foto colorida para não vos desanimar também... rssrsrsr....

Black Bird 6:39 PM
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Segunda-feira, Maio 28, 2007
Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos

2007 é o Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos. Assim o denominou a Comissão Europeia e com toda a razão. A Europa, apesar dos avanços já conseguidos no campo dos direitos humanos, tem ainda imenso para evoluir nesta matéria. Existe, ainda que muitas vezes meio dissimulada, uma luta feroz entre o conservadorismo e o progresso, entre as mentalidades retrógadas e as mentes mais abertas e essa luta precisa do contributo de todas as pessoas mais esclarecidas para que direitos conseguidos não sejam retirados e para que sejam obtidos novos outros. A vivência em sociedades onde a liberdade e a democracia existem faz muitas vezes as pessoas esquecerem daquilo que já consideram óbvio e acomodar-se.
Não podemos agir dessa forma, há muito trabalho para fazer neste vasto campo, muitos direitos a requerer, mas sempre seguindo na linha do ensino da liberdade com responsabilidade, algo que cada vez se perde mais nas nossas sociedades e que tem vindo a conduzir a caminhos perigosos, a partir do momento em que a liberdade se afoga em libertinagem. A democracia apenas perde com isso.
No entanto a democracia, apesar de todas as suas imperfeições é o melhor sistema político que um país pode ter e deve ser cuidada com esmero. Por isso foi criado, por pessoas conscientes da importância de preservar e aperfeiçoar a democracia, este ano Ano Europeu que chama a atenção para a problemática da discriminação, seja ela referente ao sexo, raça/origem étnica, religião/convicções espirituais, deficiência, idade ou orientação sexual.
Vamos reflectir um pouco mais sobre a igualdade de oportunidades para todos, sobre o respeito pela diversidade e no dia-a-dia contribuir, cada um da forma que melhor se coadunar consigo mesmo, para combater a ignorância e fazer avançar as sociedades no respeito pelo Outro, na defesa da democracia, para que o bem estar, a felicidade não seja somente uma quimera ainda para tantas pessoas. Para saber mais sobre esta celebração basta entrar no site criado para este efeito em Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos


Black Bird 6:11 PM
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